Fraco, não. Estava morrendo! Sabia disso.
Em sua mente via coisas sendo arrastadas para longe.
Um barco a remo surpreendido pela correnteza do rio Tubarão, lutando contra a corda apodrecida, puxando, libertando-se. Seu ponto de vista era o de um menininho no barco, fitando desconsolado a margem, o cais cada vez menor.
Então as imagens se apagaram, porque agora as palavras pareciam mais importantes do que as imagens, o que era absurdo, pois ele nunca tinha se interessado por palavras. Antes de morrer, porém, queria saber que palavras eram suas. Quais se aplicavam a ele. Era um homem ou um menino? Fora chamado de dois modos. Seja homem, alguns tinham lhe dito. Outros haviam sido categóricos: A culpa não é do menino. Ele tinha idade suficiente para votar, matar e morrer, o que fazia dele um homem. Mas não tinha idade suficiente para beber, mesmo uma cerveja, o que fazia dele um menino. Fora chamado de ambas as maneiras. Fora chamado de perturbado, aloprado, desorientado, adjetivos que entendia. Estava alí com míseros 20 cruzeiros no bolso. Tudo o que conseguira salvar de seu pai que o tomara tudo e o colocara alí para morrer!